domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ausência



"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada".

(Martha Medeiros)

4 comentários:

Sônia Silvino disse...

Divina Martha, Sábia Lena!
Beijos amada!

Madá disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Madá disse...

Deus meu! Que surpresa maravilhosa... Quão lindo e delicado o seu novo blog... Apaixonadamente singelo...
Sucesso!
Com ternura, Madá.

Kiro Menezes disse...

Concordo com Madá. Singelo e lindo, os posts e o teu sentir!!!